Eu nunca tinha visto alguém fazendo isso.
Estou falando dos carrinhos de supermercado deixados nas vagas de estacionamento.
Um, dois, um monte de carrinhos largados atrás dos carros ou estacionados na própria vaga, como se tivessem sidos guiados por motoristas até o local.
Hoje, no entanto, fui a um supermercado super frequentado da cidade de Taubaté e tive o desprazer de ver um homem fazendo isso. Com a maior naturalidade do mundo, empurrou o carrinho, do qual acabara de descarregar os produtos em seu carro, para a vaga ao lado, atrás de um carro que já estava estacionado.
Eu, que tinha acabado de descer do meu carro, segurei o carrinho que ele acabara de largar e chamei o homem: "Ei, moço, vou fazer um favor pra você. Vou levar o seu carrinho para o lugar onde ele deveria ser deixado."
O moço (não tão moço assim, para ser bem sincera) sorriu. Pareceu até que agradeceu. Não reagiu com briga, com grosseria, nada. Apenas sorriu e voltou para o carro dele. Nem se incomodou com a minha provocação.
No caminho até o estacionamento de carrinhos, eu e minha mãe pegamos mais uns três que encontramos largados nas vagas.
Nossas mãos não caíram, nossas pernas não desmontaram e nem ficamos cansadas por andar um pouco mais.
Eu, no entanto, fiquei resmungando para minha mãe sobre essas pessoas que agem como se não houvesse mais ninguém no mundo, sem um pingo de noção do impacto de suas ações na vida dos outros.
Hoje, é um carrinho largado numa vaga numa vaga de supermercado. Amanhã, será um lixo varrido para a frente da casa do vizinho. No futuro, os filhos dessas pessoas serão os sociopatas agindo por interesses próprios.
Será que estou exagerando?
Afinal, o que é a preguiça de levar um carrinho de supermercado para o local onde ele deve ser guardado para um povo que não se incomoda com a falta geral de educação?