quarta-feira, 8 de junho de 2016

É NAMORO OU AMIZADE?

- O que nós somos? Perguntei sem pensar muito.

Nos segundos que antecederam a resposta, o filme dos últimos três meses passou rápido em minha cabeça: o primeiro beijo, a ansiedade pela ligação no dia seguinte, a dúvida se o selinho seria na boca ou no rosto quando o encontrasse novamente.

Fiquei tão feliz quando me convidou para o cinema, que ignorei quando ele ignorou a minha mão e preferiu enfiar a dele no bolso.

Quantas vezes a angústia por não saber se ele me procuraria nos finais de semana foi substituída pelo alívio, quando ele aparecia, mesmo que somente no domingo à noite.

Quando me deu um presente de aniversário, fiquei surpresa. Não pelo presente em si, mas pelo significado do gesto. 

Tudo indica que estamos namorando. As atitudes, os sinais, as palavras...

Não, não é tudo que indica isso. Neste momento, as palavras faltam. 

Falta ele falar. Aliás, falta ele afirmar, assumir nosso relacionamento e me dar liberdade para sentir ciúmes, para ligar sem medo de estar incomodando e sem ter dúvida se vai me chamar para sair de novo ou não.

Falta o pedido do namoro. 

Coisa antiga, eu sei, mas um pedido colocaria fim na dúvida que me consome. Colocaria fim no emaranhado de emoções que insisto em sentir a cada encontro: alegria por estar junto... incerteza por não saber se realmente estamos juntos. 

Uma incerteza que me faz sentir medo de descobrir que o que nós temos é, na verdade, nada.

Pela primeira vez na vida, tive coragem de perguntar e acabar com essa aflição. Embora não me sinta preparada para a resposta, respiro fundo e aguardo.

- Nada, foi a resposta. Nós queremos coisas diferentes. Você quer namorar. Eu não.

Agora eu sei o que somos. Agora tenho um motivo para estar triste.

- O que eu faço agora? me pergunto.

Apesar de triste, agora eu sei o que eu quero e o que eu não quero em um relacionamento.

E o que eu tenho certeza é que não dá mais para ficar curtindo migalhas e fantasiando o que não existe. 

Volto pensativa para casa: a assertividade machuca e alivia ao mesmo tempo.

Nunca me senti tão livre. 

Um comentário:

Fernanda Domiciano disse...

Por mais que a resposta não seja a esperada, ter uma resposta já proporciona uma sensação de alívio.
Sem migalhas e sem fantasias, a lucidez toma conta e a obriga a viver de forma mais completa.
Sinceramente, prefiro uma verdade que machuca a uma ilusão...