domingo, 9 de janeiro de 2011

AI QUE VERGONHA TRANSFERIDA!

Todo mundo já sentiu, mas poucas pessoas ligam o nome à sensação. Vergonha transferida é um incômodo tão forte que a gente sente quando alguém dá uma bola fora, que parece até que quem pagou o mico foi a gente.
Eu não sou especialista no assunto, mas consigo identificar vários níveis de vergonha transferida: desde o mais leves, quando alguém conta uma piada e ninguém ri, por exemplo, até os mais fortes, quando a atitude das pessoas é tão vergonhosa que faz a gente querer se transformar em um avestruz e enterrar a cabeça no chão.
E por falar em atitudes vergonhosas, um local muito propício para sentir vergonha transferida é o estacionamento de um shopping que costumo frequentar.  Cada dia que passa, fico mais admirada com a quantidade de infrações cometidas pelos motoristas. É um tal de estacionar em locais proibidos, sobre canteiros, em vagas especiais, dirigir na contramão e, sobretudo, não respeitar os pedestres, que já perdi a conta das vergonhas que senti.
Uma vez eu enviei uma mensagem para o e-mail de contato do tal shopping. Escrevi sobre todos esses problemas e disse que, como frequentadora há muitos anos, fiquei feliz (e, ao mesmo tempo, surpresa) quando criaram as novas vagas. Feliz porque, na minha opinião, as más atitudes dos motoristas eram justificadas pela falta de lugar para estacionar. Surpresa porque vi que, mesmo com 600 novas opções para estacionar confortavelmente seus veículos, os motoristas continuavam subindo em canteiros e calçadas.
Como sou uma pessoa muito prática, depois do meu desabafo inicial, apresentei uma lista de sugestões que poderiam minimizar esses problemas (pra ninguém dizer que fico só reclamando e não contribuo com nada). 
Sugeri que plantassem flores nos canteiros apelando para a sensibilidade das pessoas; caso isso não resolvesse, que chamassem o infrator pelo sistema de som interno contando o que ele fez, apelando para o constrangimento; se ainda assim o problema persistisse, sugeri que fossem mais duros e apelassem para o bolso, verificando com a polícia a possibilidade de aplicar multas. Para finalizar minha lista de boas ideias sendo mais socialmente responsável, sugeri que realizassem uma campanha de conscientização desses motoristas que, ao que tudo indica, fizeram autoescola por correspondência.
Para meu espanto, recebi rapidamente uma resposta do pessoal do Marketing com cópia para o pessoal da Segurança: eles também ficaram admirados com a permanência do problema, mas disseram que a ideia de chamar pelo sistema de som já estava implementada e que, talvez, eu nunca tenha escutado o puxão de orelha em público porque nem todas as caixas de som estavam funcionando.  
Acho que já faz mais de um ano que recebi essa resposta. O sistema de som continua quebrado; no lugar de flores, colocaram tijolos ao redor dos canteiros; eu mesma perguntei à polícia sobre as multas (não podem) e estou esperando sentada pela campanha de educação no trânsito.
O povo continua fazendo o que quer no estacionamento e eu continuo gastando a minha vergonha com os outros...

E você? Já sentiu alguma vergonha transferida? Já se indignou com a má atitude das pessoas? Deixe seu comentário contando a sua experiência...

5 comentários:

Andréa Vales disse...

Pois é, sou mestre em passar por isso...Até assistindo TV, as vezes, fico com vergonha dos acontecimentos!!!Bjos

Scrap by RÔ disse...

Karina, amei seu texto, eu tenho tanta vergonha transferida que se for escrever aqui sai um livro....rs Mas a que sinto mais raiva é quando vejo alguém jogando lixo na rua, principalmente quando jogam lata de cerveja para fora do carro (além de beber dirigindo ainda sujam a cidade). É uma ignorânica sem tamanho, fora a vergonha eu fico imaginando a casa do indivíduo cheio de lixo no chão, pois é exatamente, essa a imagem que ele me passa....rs Bjks

victor disse...

Oi Ká, realmente é ama sensação muito estranha. Agora quando se trata de vergonha transferida por pessoas mais proximas de voce, e que tenham influencia na sua vida, ai sim a vergonha é dolorida e sofrida. beijos

Meyre Lapido de Mattos disse...

karina

Eu já sofrei várias vezes vergonha por outras pessoas, mas,concordo com o Victor, a mais chata é sentir vergonha por algúém proximo de vc...como qdo tratam alguém com arrogancia ou estupidez perto de mim, qdo vem falar comigo e ignora a pessoa que esta perto de mim etc etc etc... Enfim, falta ao ser humano refletir mais sobre suas palavras e sua ações.

Isa disse...

Ótima idéia do sistema de som, mas infelizmente não funciona mesmo, rss
O povinho sem cultura...me dá raiva, revolta e vergonha. Outra coisa que me deixa revoltada é a capacidade do "ser humano" de não entender que lixo se joga no lixo e insistam em sujar as vias públicas.
Vamos continuar lutando para colocar um basta nessas vergonhas