domingo, 16 de janeiro de 2011

7 ANÕES: AS DESCULPAS DO ATCHIM

Espirrar é a coisa mais normal do mundo. O espirro é uma reação involuntária do corpo ao se defender de sujeiras e bactérias que tentam invadir nosso organismo através do nosso nariz. Espirramos ao ter contato com pó, com cheiros fortes, quando olhamos para luz (sei lá  porque), quando nos resfriamos... (algumas mulheres espirram até quando tiram as sobrancelhas!!).
Todo mundo espirra e a vida do anão Atchim não chamaria minha atenção se não fosse pelo fato de que, no filme Branca de Neve e os Sete Anões, ele é o único que espirra. 
Se todos os sete anões vivem na mesma casa, trabalham no mesmo lugar e estão sujeitos às mesmas condições do ambiente, por que apenas um deles espirra o tempo todo?
Tudo bem. Você pode me lembrar que a causa dos espirros do Atchim era sua alergia ao pó que, aliás, rolava solto na casa mal cuidada onde eles viviam antes da Branca de Neve chegar. Pois bem... ela chegou, fez uma faxina geral e, mesmo assim, ele continuou espirrando, o que me fez questionar: o nariz do anão Atchim era tão sensível a ponto de ele ser alérgico até ao ar que respirava ou seus incontáveis espirros eram, na verdade, uma desculpa para não ser exigido demais em suas atividades diárias?
Se levarmos em conta que, talvez, o sete anões são uma tentativa de demonstrar  sete tipos de personalidades, o anão Atchim pode ser aquela pessoa que sempre diz que faria um monte de coisas na vida se não fosse pela sua triste condição física ou por seus problemas de saúde.
Isso me faz lembrar de uma história que vivi quando “ousei” correr, pela primeira vez, 10Km. Foi no autódromo de Interlagos, em São Paulo (o mesmo onde são realizadas as corridas de Fórmula 1).
Quem conhece o local, sabe que se trata de um percurso sem sombra, totalmente de asfalto e, ainda, com um trecho de subida que, em distância, deve ter pouco mais de 1km, mas, em tempo, parece levar uma eternidade para ser finalizado. Uma provação para qualquer um, principalmente para quem corre 10km, que passa por ela duas vezes.
Quando topei esse desafio, fiz um acordo comigo: como era a primeira vez, não seria tão exigente na subida e, se fosse necessário, faria esse trecho caminhando.
Nem bem começou a subida na primeira volta e eu, conforme tinha combinado comigo mesma e sem ao menos tentar, comecei a me preparar para diminuir o ritmo e caminhar. No mesmo momento, olhei para o lado e vi um homem que subia o mesmo trecho, nas mesmas dificuldades, só que com uma condição diferente: ele não tinha as pernas e utilizava uma bicicleta especialmente adaptada para quem tem esse tipo de deficiência física. Todo o seu esforço para subir o morro era feito com os braços.
Não consigo descrever aqui a vergonha que senti de mim mesma, mas ela me fez perceber um belo exemplo de que as limitações físicas não devem jamais nos impedir de atingir nossos objetivos.
Hoje, quando lembro dessa história, me orgulho de ter completado meus primeiros 10km exausta, mas feliz e, o que é melhor, sem deixar que a personalidade de anão Atchim me impedisse de seguir em frente correndo (devagar, mas sempre).

Gostou do texto? Não gostou? Tem outra percepção do anão Atchim ou uma história para contar? Deixe seu comentário!!

4 comentários:

Carolina C Souza disse...

Excelente o texto e a história melhor ainda. A palavra que mais me chamou atenção nesse posto foi DESAFIO: uma palavra que nos provoca tanto (em diversas proporções).
Eu aceitei recentemente um desafio: quando vc voltar de férias não vai mais me encontrar lá. Vou subir um degrau na minha vida profissional, mesmo muitas pessoas não achando ser uma boa escolha. Espero te encontrar sempre por aqui, e quem sabe um dia, em outro lugar. Beijos!

Meyre Lapido de Mattos disse...

É... tem muita gente espirrando por ai. Tem gente que espirra do trabalho porque não suporta ser subordinado a alguem. Tem gente espirrando de ter o seu proprio negocio porque não é fácil viver sem ter um salário fixo. Tem gente espirrando de um compromisso serio por medo de de viver uma estoria com alguém. E assim vai, entre um espirro e outro sempre tem alguém lhe oferecendo um lenço de papel.

victor disse...

Ka, belo texto digno de publicação em midia global. Um super beijo

adriana.otani disse...

Esse texto me fez lembrar do escritor Jean Cocteau, pela famosa frase "Não sabendo que era impossível, foi lá e fez..." Muita gente se bloqueia nas dificuldades de outras pessoas e desistem sem tentar. No entanto, outras, sem saber dos obstáculos que outras pessoas enfrentaram, conseguem superar qualquer desafio.