domingo, 13 de fevereiro de 2011

FAÇA O QUE EU DIGO, MAS NÃO FAÇA O QUE EU FAÇO

Eu não sei quem é o autor dessa frase, mas sei que todo mundo já ouviu pelo menos uma vez na vida. Eu tive a oportunidade de comprová-la pessoalmente.

Um dia desses, eu estava almoçando em um restaurante no shopping e, enquanto esperava pelo meu pedido, comecei a reparar na forma como um rapaz estava comendo. Nem bem o garfo saía da boca, ele já dava mais duas garfadas seguidas. Parecia que mastigava apenas três ou quatro vezes e engolia. Ao mesmo tempo, dava goles apressados no refrigerante enquanto mantinha o corpo totalmente arcado para a frente, com a cabeça quase encostada no prato. Parecia que não comia há anos.

Pensei em várias razões pelas quais ele precisava comer com tanta pressa. Minha única conclusão foi que não poderia ser por estar atrasado. Afinal, o restaurante era a “la carte” e, para quem está atrasado para qualquer compromisso, um restaurante por quilo seria a melhor opção.

Mas o que eu tenho a ver com a maneira como esse cara come, pensei. Se não está cuspindo na minha cara, eu não deveria me incomodar. O fato é que me incomodou. Tanto que mudei de lado na mesa para não continuar vendo aquela cena.

Um belo dia, estou almoçando com uma colega de trabalho e, enquanto eu comia, ela soltou:
nossa, como você come rápido! Uau... Imediatamente lembrei-me do “rapidinho” que tanto critiquei em pensamento. Foi como se tivesse levado um tapa na cara!

A verdade é que todos nós temos o hábito de criticar nos outros aquilo que não percebemos em nós mesmos. Quem fala que não faz isso está enganando a si próprio.

Já vi muita gente reclamar porque recebeu troco a menos e ficar quietinha quando recebeu a mais... Brigar no trânsito porque levou uma “fechada” e ser o primeiro da fila para estacionar em vagas especiais... Achar injusto levar uma bronca do chefe e fazer a mesma coisa com o primeiro que aparece...

Quando é com a gente pode ser diferente?

Perceber a incoerência entre o que falamos e o que fazemos não é tarefa fácil. Exige disposição para ouvir, para se autoanalisar e decidir qual dos dois têm que mudar: o discurso ou a ação. Se continuamos falando uma coisa e fazendo outra, corremos o risco de virar ponto de referência, aquele que "só fala e não faz..."

De minha parte, decidi que não quero ser vista como uma morta de fome desesperada para limpar o prato como se o mundo fosse acabar. Desde o dia em que me abriram os olhos, passei a comer mais devagar. A velocidade ainda não está boa, mas eu chego lá...

7 comentários:

Carolina C Souza disse...

Oi Karina!!
Nós temos diversos valores que confrontam com os hábitos de muitas pessoas. Acontece que muitas vezes não notamos que nós mesmos não seguimos esses valores. Temos sorte quando reparamos nisso pois temos a oportunidade de corrigirmos. Eu mesma, pensando nisso e sabendo que cometo uma série de erros assim, vou tomar mais cuidado com o que penso e digo...
Grande beijo

meyre lapido disse...

Como eu trabalho particularmente com pelo menos 6 ou 8 pessoas por dia, tenho diariamente o privilegio da constatação. Elas me mostram maneira de ser que ja fui ou que ainda sou. Duas constatações que me marcaram muito:
A primeira foi de uma pessoa me mostrou com sua exagerada carência afetiva de como uma pessoa pode se tornar extremamente chata, felizmente, vi nessa pessoa um jeito de ser que eu fui e que já não sou mais.
A segunda foi pior. Um dia, almoçando na casa de minha irmã, falávamos sobre crenças e eu enchi a boca pra dizer que achava um absurdo determinada forma de como as pessoas acreditavam em Deus, qdo (que vergonha!) minha irmã me disse - eu sou uma dessas pessoas que acreditam, segundo vc, nessa forma absurda. E pra piorar mais ainda a vergonha da minha constatação (de como nem sempre agimos da forma que pensamos ou, pior ainda, que falamos), meu sobrinho me faz a pergunta que eu não queria ouvir:- mas tia, não é vc que vive dizendo que devemos respeitar as crenças das outras pessoas? (se existisse em jeito de desaparecer automaticamente, eu teria desaparecido num segundo). Passei pelo menos uma semana muito mal por ter constatado a duras penas que precisamos estar realmente convictos de alguma coisa antes de sairmos por ai dizendo coisa que nem sempre são integras em nos mesmos. Numa outra oportunidade, voltei ao assunto com eles, me desculpei e agradeci pela grande lição de semancol.

victor disse...

Ká linda,
Faça o que eu digo (ou peço) sim deve ser dito sempre desde que voce acredite no que esta falando.
Agora não faça o que eu faço, acredito que quando a gente pede a alguem para fazer algo, geralmente a gente não faz o que a gente disse. Acredito o que mais lhe incomodou no cara do restaurante não foi na rapidez com que ele comia e sim no jeito dele camer. A gente pode comer rapido sem ser nojento. Beijo

Anderson Plinio disse...

Karina, você sempre me manda suas publicações no meu e-mail, acredito que você faça parte de algum curso de pós da Conexão FGV.
Hoje tive a oportunidade de ler este seu post e só queria deixar uma única observação.
Muitos fatores poderiam explicar o motivo daquele rapaz estar devorando o prado de comida. Faltou apenas você perguntar à ele se isso te incomodou. Talvez ele não tenha um colega assim como você teve a sua para lhe alertar sobre a velocidade e dos prejuízos que se tem se alimentando rápido.
Quando puder acesse meu blog: www.mastigacaodagestao.co.cc. Forte abraço.

Mir disse...

Oi Ka, tudo bem...saudades viu...
Texto bom, tenho uma frase em mente que: Não julgue seu próximo para que não sejas julgado...isso implica que não somos perfeitos e que é fácil olhar o defeito de quem estar ao lado e muitas vezes não conseguimos olha pra dentro de si...abçs

Adriana Otani disse...

Isso aconteceu comigo ontem, por incrível que pareça. Sempre que estou dirigindo um carro, o farol de uma moto atrás de mim me incomoda no espelho retrovisor e acabo colocando a mão pra não ver o reflexo da luz. Voltando de viagem ontem, de moto com meu namorado, me incomodou uma pessoa fazer a mesma coisa no veículo da frente: colocar a mão no espelho retrovisor para não ser atrapalhado pela luz da moto. Estando do outro lado da história, achei o ato um tanto mal educado, apesar de ser apenas um impulso para até mesmo evitar acidentes. Como é engraçado: quando faço isso acredito que estou apenas me protegendo (e é isso mesmo). Mas quando vi outra pessoa fazendo o mesmo, estando eu de moto, achei grosseiro.

Talvez isso se explique pelo fato de que, quando fazemos coisas assim, mais automáticas, como comer ou se proteger de um reflexo, acabamos não percebendo o que estamos fazendo, é impulso. Já quando observamos outras pessoas...

Kikuti disse...

Karina,
- Acredito que ter pressa é uma coisa e não ter modos é bem outra, então pode sim comer apressado, o que acontece comigo quase todos os dias, devido à minha agenda, isso não é desculpa é realidade. E isso vai se tornando hábito e quando pensamos em comer devagar, já terminei, mas quando estou comendo em dia de folga sou mais lendo e mastigo bem. Agora quanto ao faça o que digo e não faça o que eu faço, depende da habilidade e experiência de quem faz, embora sabemos que quando acontece acidentes, é sempre a autoconfiança.
Bj - Kikuti