domingo, 20 de fevereiro de 2011

AS 7 VIRTUDES: A MANSIDÃO

Imagine a situação: num belo sábado, você está dirigindo seu carro voltando para sua casa após uma cansada noite no turno especial da fábrica onde trabalha. De repente, ao iniciar uma ultrapassagem seguindo totalmente as normas do trânsito, você pensa ter atropelado algum cachorro, tão forte um barulho e impacto que sente no seu carro. Quando se dá conta do que aconteceu, percebe que um carro bateu em você por pura imprudência do motorista que decidiu, sem dar seta e sem olhar no espelho retovisor, mudar para o lado esquerdo da pista, bem no momento que você fazia a ultrapassagem.  Nada de grave acontece, mas a porta do seu Santana 2010, que você acabou de comprar e pelo qual ainda está pagando, ficou toda amassada e com a pintura arranhada. Com o outro carro não aconteceu nada.
O que você faz? Grita, briga, parte para o tapa no motorista imprudente?
Essa história aconteceu comigo no final do ano passado, mas, ao contrário do que você pode estar pensando, eu era o motorista imprudente que provocou o acidente enquanto conversava distraída ao celular.
Por sorte, eu dirigia devagar. Quando vi o que tinha feito, senti tanto medo da ira do motorista pela minha irresponsabilidade, que não pude esconder minha surpresa quando o rapaz se dirigiu até mim e, com a maior calma do mundo, perguntou se estava tudo bem. Por muito menos, já me descabelei várias vezes no trânsito.
A reação dele me fez pensar que a mansidão, mais conhecida como paciência, é uma atitude que decidimos ou não praticar. Não é uma virtude com a qual nascemos. Ela é fruto de uma escolha. Ao preferir manter a calma ao invés de brigar, o rapaz me mostrou que ser paciente é uma decisão pessoal.
Diariamente, temos a opção de escolher entre manter o controle emocional diante de situações que nos desagradam ou ter um ataque de fúria... Isso vale para um grave problema no trânsito, como o que contei, e também para coisas banais com as quais costumamos nos irritar à toa, como fila de banco, objetos perdidos, comentários irônicos, caneta que não funciona, entre outras. Aliás, se você começar a anotar todas as coisas que despertam sua ira no dia a dia, talvez perceba como são bobas as coisas que costumam nos abalar.
Se quando perdemos a calma, muitas vezes os mais prejudicados somos nós mesmos pois perdemos um precioso tempo remoendo o motivo da nossa ira, por que continuamos a agir assim?
O autocontrole é algo tão difícil assim de praticar?

Vamos começar a tentar?

8 comentários:

Jose Santos disse...

A paciência sem sombra de duvida é uma das virtudes mais fortes que o ser humano pode ter e demonstrar. Somente as pessoas com elevado grau de auto conhecimento desenvolvem a capacidade de manter-se calmo em qualquer situação que esteja enfrentando, seja ela séria ou muitas vezes uma bobagem qualquer, e geralmente é por uma bobagem qualquer que perdemos a paciência. Acho que todos nós temos a obrigação de começarmos a praticar a paciência para termos um mundo melhor a nossa volta.
Lindo texto Karina, meus parabéns.
Santos

Anônimo disse...

Mansidão ativa.
Muito bom ler isso, obrigado!

Cadu

victor disse...

Realmente manter a calma em situações fora do esperado ou quando não concordamos com as atitudes que nos rodeiam, é sim uma arte. Porem essa calma não pode nos tornar indiferentes com os fatos, temos que manter o equilibrio, ai sim temos que praticar e muito. Um super beijo

meyre lapido disse...

Eu nunca fui uma pessoa totalmente impaciente e ja fui considerada muitas vezes boba por conta disso mas, o que me levou a desenvolver mais ainda a minha paciencia foi qdo presenciei uma cena no ponto de onibus de uma mãe completamente histerica com seus dois filhos. Aquela cena me fez muito mal e dai em diante aprimorei mais ainda a minha paciencia. Eu tenho certeza absoluta que podemos resolver tudo na base da calma porque agindo assim damos a oportunidade do outro perceber o que está acontecendo.

Eliane Mendonça disse...

Vixe... então..rs
Autocontrole definitivamente não é uma das minhas virtudes, Karina.
Lendo seu texto eu já tava com raiva do tal motorista e, com certeza, no lugar desse cara bacana que vc deu a sorte de bater, eu ia sair do carro esbravejando.
Nada grave, a ponto de sair no tapa. Nada disso. Mas também não ia te perguntar se estava bem.
Agora, será que ter mais paciência é mesmo uma opção? Tenho lá minhas dúvidas...rs
Mas, com certeza vou pensar nisso e tentar adotar uma atitude diferente na próxima situação de estresse.
Depois te conto se deu certo..rs
Beijo

Mir disse...

como vc ja disse, escolhemos praticar mansidão e escolhemos praticar a ira...mas prefiro ficar com 1ª escolha, pois a 2ª acaba sendo dolorosa principalmente pra quem pratica...mas é dificil lhe dar com pessoas...penso que é melhor lhe dar com os bichos...rsrsr bjs Ká

Matê Mattos disse...

Paciência:

Tenho que praticá-la todas as horas, minutos, segundos.
É a pausa entre dois tempos de uma situação.
É um ingrediente de bem viver, é o cala boca da atividade mental exagerada, é a ponte para o pensamento sábio.
Sem pacIência não se tem qualidade, ponderação, reflexão.
Sem paciência não se tem visão clara.
Com paciência a gente começa de novo quando precisa recomeçar.
Com paciência a gente olha por outro prisma a mesma questão.
Com paciência a gente lembra da frase: perdoa pai, tal pessoa não sabe o que faz ou diz!
Mas a mansidão é mais que paciência, paciência você exercita, aprende. Parece que mansidão é o resultado de muita paciência exercida e você passa a usufruir uma boa qualidade de ser no mundo.
E no seu texto Karina você me contou que com mansidão a gente pode ser exemplar.
Mansidão...que bom que é uma escolha.
Muito legal.
Bjs

Andre Luiz disse...

Karina, Eliane, Mir, eu penso um pouco diferente. A paciência pode ser escolhida sim. E não é só a paciência, nem só virtudes. É qualquer atitude. É a última liberdade do ser humano. Podem lhe tirar tudo, tudo. Até a liberdade de ir e vir, ficar preso. Mas não podem lhe tirar a liberdade de escolher como você vai reagir ao que lhe acontece.

Só que a maioria das pessoas não tem consciência disso. Não escolhe. E reage sem escolher, impulsivamente. E fica irritado, ou triste, ou humilhado, quando agem com elas de certas maneiras.

Já ouviram aquela frase: "ninguém o deixa humilhado se você não quiser"? Aposto que sim. Mas a frase não diz por que. É por isso. Se você criar um intervalinho entre o que lhe fazem e a sua reação, e pensar: "Péra aí... Como vou querer reagir a isso?..." Rapaz, isso lhe dá um tremendo poder. Sobre si mesmo.

Só que, como diz o tio do homem-aranha, com o poder, vem a responsabilidade: se você escolhe como vai agir e reagir, não pode mais botar a culpa nos outros... "Ah, ela me deixou irritado...", "Você me deixou preocupado", "Meu chefe me deixa estressado...".

Não, você passa a ser realmente responsável pelos seus atos. Ganha mais independência e maturidade. E se sente muito bem.

O nome disso é proatividade. Escolher como vai agir com cada pessoa em cada situação. Se a gente não escolhe e simplesmente reage, está sendo reativo, e não proativo. Os reativos é que não assumem a responsabilidade e põem a culpa em tudo e todos, menos neles.

Até parece que eu sou assim... Estou aprendendo. Consigo por em prática várias vezes, outras não. Já é suficiente para viver com menos stress e mais sensação de controle sobre minha vida. Vale a pena, gente. A gente cresce com isso. E ainda começa a ajudar os outros em volta a crescer!...

Abraços a todos!
Karina, obrigado pelo seu blog e por este tema. Você levanta questões relevantes para a vida humana.

André Mayoral
andre.luiz.mayoral@gmail.com