domingo, 24 de junho de 2012

PESSOAS DIFERENCIADAS

Existem pessoas que são diferenciadas. Não sei explicar exatamente o porquê, mas elas são. Seja pela forma atenciosa de nos atender, pela disposição em nos ajudar, pela capacidade de nos fazer sentir à vontade, sei lá... Só quem já encontrou uma pessoa diferenciada sabe do que estou falando.

Não estou me referindo aos amigos ou familiares com quem temos convivência regularmente e que, por gostarmos muito, tornam-se especiais para nós. Estou falando daquelas pessoas que, em meio a uma multidão que só faz o que tem que ser feito, têm a capacidade de ir além e de oferecer o seu melhor, sem se preocupar se vão receber algum tipo de reconhecimento por isso.

De vez em quando, encontro pessoas assim.

Recentemente, tive que fazer uma prova em uma instituição conveniada à instituição onde curso meu MBA e fui surpreendida com uma atendente simpática como todas devem ser, mas que me encantou quando me identificou sem que eu precisasse me explicar muito. Durante minhas primeiras palavras contando o motivo de eu estar ali, ela, com um sorriso no rosto e uma disposição enorme, disse entre perguntando e afirmando: Karina?!

Outro dia, fui a uma farmácia para ver se havia alguma pomada que aliviasse as coceiras decorrentes de picadas de pernilongos que me atacaram sem dó nem pidedade. O vendedor, além do que eu pedi, ofereceu uma alternativa para complementar o tratamento de forma a torna-lo mais eficaz. Até aí, nada de mais, você pode pensar. Ele não fez mais do que a obrigação de qualquer vendedor. Mas eu me senti eternamente grata quando ele, vendo o meu desespero quase arrancando a pele de tanta coceira, se ofereceu para buscar água e me ajudou a tomar, na farmácia mesmo, os comprimidos.

Lembro-me, também, de uma menina que começou a trabalhar num quiosque de empadas no Shopping. Eram quatro vendedoras e ela se sobressaia por explicar, detalhadamente, os tipos de recheios, comentar sobre os que eram preferência da maioria dos clientes que já haviam passado por ali, enfim... Enquanto todas as outras aguardavam receber os pedidos, essa moça se relacionava. O mais interessante foi quando uma cliente, conversando sozinha, suspirou que estava de dieta enquanto olhava apaixonadamente para a vitrine das empadas. A vendedora diferenciada, muito atenta, imediatamente falou sobre a opção de massa integral com recheio de ricota e discursou sobre a diferença entre produtos diet e light, além das vantagens da massa integral.

Pode parecer bobagem, mas estamos numa época em que as pessoas não fazem mais questão de nos chamar pelo nome e muita gente não se dedica ao trabalho porque considera que seu salário é muito pouco para que ofereçam resultados além do que está determinado em contrato. Quando tenho a sorte de encontrar pessoas com atitudes diferentes do padrão mediano da maioria, fico impressionada - e feliz.

Feliz por ver que é possível identificar, nos lugares mais simples, profissionais com uma habilidade cada vez mais difícil de encontrar: a habilidade de lidar com outras pessoas, de se colocar no lugar dos outros para entender suas necessidades, de agir com uma qualidade espetacular não porque ganham para isso, mas porque não conseguem oferecer menos quando sabem que podem fazer muito mais.

2 comentários:

cimatti disse...

Eu acho, Karina, que isso é efeito da competição estimulada pelo capitalismo, pois, apesar do salário irrisório, os funcionários não t~em muita alternativa, além da falta de oportunidade, vivemos na era da comunicação instantânea, o que deixa o operário receoso de que no futuro não o empreguem por terem identificado nele alguém que não faz mais que sua obrigação. Isso sem falar na nova política da meritocracia e outras tantas novas grades psicológicas inventadas por empresários europeus. Bem! É isso que eu penso.

Karina Lapido disse...

Oi Cimatti,

Não sei se entendi direito, mas você acredita que essas pessoas diferenciadas só são assim porque temem perder o emprego?
Pode ser que algumas realmente sejam assim, mas as pessoas sobre às quais eu falo são aquelas que sentem prazer no que fazem e refletem isso em suas atitudes, quer o chefe esteja olhando ou não.
Hoje em dia, a maioria das pessoas já não tem mais ai ideia do trabalho como uma tortura (a palavra significa isso em latim).
Prefiro acreditar que esses profissionais realmente estão dispostos a fazer o seu melhor.

Um abraço e obrigada pela participação!

Karina