segunda-feira, 10 de março de 2014

CHEGARAM...

Finalmente, cruzei a linha de chegada dos 40 anos.

Confesso que nos meses que antecederam esse marco me senti como na véspera de um Ano Novo: fazendo um balanço geral da minha vida e com planos para o próximo ano.

Chego aos 40 mais ansiosa do que quando cheguei aos 30. A sensação é de um ciclo que se encerra e que outro que está apenas começando.

Aos 20 anos, meu grande sonho era ter meus olhos operados para curar a miopia. Consegui.

Aos 30, era encontrar o homem com quem pretendo viver a minha vida. Encontrei.

Aos 40, adivinhem: só quero emagrecer!

Pode parecer mentira, mas, ao olhar para trás, lembro que não planejei nada do que estou vivendo atualmente.

Trabalho desde os 15 anos para outras pessoas, mas aos 12 já fazia trabalhos de datilografia por conta própria. Fui assistente de dentista, recepcionista de jornal, demonstradora de salas comerciais para venda e assistente administrativo no escritório de uma construtora. Tudo isso antes de fazer faculdade, aos 21 anos.

Terminei o colégio na época certa, aos 17 anos, mas não tive dinheiro para entrar imediatamente numa faculdade. Quando finalmente resolvi arriscar, tive ajuda, no primeiro ano, de uma tia que sempre foi um exemplo de trabalho duro e de ajuda ao próximo. Depois do primeiro ano, fiquei por conta própria.

Os três anos seguintes foram de negociações e renegociações de dívidas e uma eterna dúvida se eu conseguiria concluir o curso. Nessa época, aprendi a diagramar jornais e livros e me virei com isso. Desde que comecei a faculdade, coloquei na cabeça que jamais aceitaria trabalhar em uma área que não a da profissão que escolhi: Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Como consequência, terminei o curso, em 1998, com uma dívida enorme, que, por sorte, foi cobrada na justiça assim que recebi meu diploma. Se dependesse da faculdade, eu pagaria à vista, mas a justiça parcelou a minha conta em "milhões"de vezes...com juros.

Sempre gostei de escrever e vi nessa profissão a oportunidade de transformar meu gosto em prática. Em jornal mesmo trabalhei pouquíssimo tempo. Descobri na pele que a mídia não é imparcial como tanto querem nos fazer acreditar na faculdade. Os editores põem uma ideia na cabeça e o repórter, ao invés de apurar fatos, tem que tentar confirmar as suposições do chefe. Parece a mesma coisa, mas não é.

Entre desistir do jornal impresso e entrar no mundo da Comunicação Corporativa, fui a voz da Universidade de Taubaté por dois ou três anos. Gravei a locução de comerciais de rádio, TV e espera telefônica. O número do 0800 não sai da minha cabeça até hoje.

No ano 2000, estreei minha carreira na área de Comunicação Corporativa sem saber onde estava pisando. O que eu queria era escrever e foi isso que eu fiz nessa primeira experiência: escrever matérias corporativas e textos motivacionais. Comparando com uma corrida de rua, se é que eu posso comparar, foi uma experiência importante, que deu a largada para a prova na qual estou até hoje e que, constantemente, tenho que me impor novos desafios e provar a mim mesma que sou capaz.

Em 2001, comecei a trabalhar em uma empresa grande, internacional, cuja maior fábrica estava localizada na minha cidade natal, Taubaté, e local onde eu permaneceria por um bom tempo. Durante todo o processo seletivo, meu único pensamento é que aconteceria o que fosse melhor para mim, sendo contratada ou não.

Deu certo. Em junho de 2001, comecei a caminhada como gente grande e tive inúmeras oportunidades de mostrar a minha vontade de trabalhar. Foram 11 anos durante os quais cresci muito profissionalmente e como pessoa.

Em 2012, dei um ousado, mas tentador passo na minha carreira: me mudei para Porto Velho e assumi a responsabilidade pela área de Recursos Humanos de uma empresa que está, assim como eu estava há 12 anos, dando seus primeiros passos no mercado profissional.

Em dois anos, aprendi muito, inclusive que podemos mudar sempre quando reconhecemos que os nossos pensamentos e atitudes já não correspondem à realidade que vivemos.

Desde o último ano, estou mais sensível, mais disposta a me colocar no lugar dos outros, mais amorosa e, sobretudo, com um repertório de experiências maior para consultar antes de fazer qualquer escolha.

Às vezes, penso que a fase dos meus 20 anos teria sido melhor se eu soubesse o que sei hoje, mas reconheço que eu não saberia o que sei hoje se não tivesse vivido os 20 exatamente da maneira como foram vividos.

Tenho o homem certo ao meu lado.

Tenho expectativas e sonhos a partir de agora. Se me perguntassem, no passado, onde eu estaria aos 40 anos, eu não saberia responder. Hoje, se me perguntarem onde pretendo estar daqui a cinco anos, tenho uma imagem clara do que espero que aconteça.

Sei que tudo dependerá de mim.

A única coisa que não consigo prever é se vou conseguir emagrecer.

3 comentários:

victor disse...

Linda retrospectiva, estou emocionado pela parte que eu faço parte, você esta cada dia mais linda e maravilhosa, te amo. Esse texto merece ou melhor dizendo precisa de um tempo para ser digerido, ele requer uma boa dose de reflexão.

Rosa Vasconcelos disse...

Karina, parabéns. É realmente uma retrospectiva admirável. Grande abraço. Rosa. (Tô chegando lá).

Marli disse...

Wow Karina, muito interessante sua caminhada. Parabéns pelas escolhas que fez e tenho certeza que vc conseguirá emagrecer, é só uma questão de disciplina. Se quiser algumas dicas é só me pedir.